João Pereira e a saída do Sporting: «Rui Borges foi o meu anjo da consciência»

Ex-treinador dos leões afirma ainda que não se sente campeão nacional, mas que está bem resolvido com o passado

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João Pereira sucedeu a Ruben Amorim no Sporting
João Pereira sucedeu a Ruben Amorim no Sporting • Foto: Rui Minderico
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João Pereira quebrou o silêncio sobre a conturbada passagem pelo comando técnico do Sporting, em 2024/25, admitindo que não correu bem e que a sua saída prematura - ao fim de apenas 8 jogos - foi a decisão certa. Em entrevista à Sport TV, o treinador do Alanyaspor contou que a sua maior mágoa foi não ter correspondido à confiança que Frederico Varandas depositou nele quando o escolheu para suceder a Ruben Amorim.

"Nesta passagem pelo Sporting o que tenho mais mágoa foi não ter correspondido à pessoa que tinha confiado em mim. O presidente levantou o Sporting numa altura em que estava de rastos e nunca ia colocar o Sporting em causa senão visse em mim qualidade. Agora é fácil apontarem-lhe o dedo e dizer que a minha contratação foi um erro, mas o presidente seguia o meu trabalho desde os sub-23. Quando chegámos à equipa principal não resultou, podia dar muitas desculpas de árbitros, mas outros, mesmo com arbitragens e lesões, acabaram por ganhar. Mais do que um problema tático foi psicológico. Com a saída de Ruben Amorim não tive capacidade de levantar as tropas", começa por dizer.

Sobre o seu sucessor, Rui Borges, o antigo lateral-direito afirma que ficou muito contente pelo técnico ter conseguido conquistar a dobradinha e que, na realidade, o ajudou a limpar a consciência: "Sei que muita gente que gosta de mim queria que o Rui Borges perdesse para dizer que a culpa não era só minha. Mas sinto exatamente o contrário. Considero que Rui Borges foi o meu anjo da consciência. Ficar associado a uma não conquista de um título nacional por minha causa iria perseguir-me a vida toda. Conseguiu ganhar o Campeonato e a Taça e fiquei super feliz... Durmo muito mais descansado".

Quanto à renovação de Borges, no final da temporada passada, João Pereira considera que foi a "decisão certa", estabelecendo um termo de comparação com o seu despedimento.

"Foi a decisão certa, tal como foi abdicar de mim na altura, foi decisão certa. Não tenho problemas em dizê-lo. Estou muito bem com o passado e Rui Borges veio provar a boa aposta. Este ano voltou a lutar pelo título e a estar em todas as decisões. Já o mister Jorge Jesus dizia que o importante era estar nas decisões. Por isso, Frederico Varandas fez muito bem dar um voto de confiança a Rui Borges que está a fazer um grande trabalho pelo Sporting", afirma.

João Pereira no banco do Alanyaspor FOTO: Alanyaspor
Considero que Rui Borges foi o meu anjo da consciência. Ficar associado a uma não conquista de um título nacional por minha causa iria perseguir-me a vida toda. Conseguiu ganhar o Campeonato e a Taça e fiquei super feliz... Durmo muito mais descansado
João Pereira

Treinador do Alanyaspor

O técnico de 42 anos cumpriu apenas 8 jogos no banco verde e branco, dos quais venceu apenas três - um na Liga e dois na Taça. Por esse motivo, confessa que não sente que tenha direito à medalha de campeão: "Sinceramente, não me sinto campeão pelo Sporting. Sinto que ganhei mais a Taça de Portugal porque passei duas eliminatórias. Não tive mérito nessa conquista por muitos motivos e continuo a responsabilizar-me, mas estou bem resolvido com o passado".

Em 2026/27, João Pereira irá permanecer ao leme do Alanyaspor, clube com o qual renovou por mais uma época, depois de ter conseguido o 11.º lugar na Liga turca.

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